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A Razão como Fronteira da Loucura
Se você está se preparando para o vestibular ou apenas quer entender por que esse livro de Machado de Assis é um dos maiores clássicos da nossa literatura, este resumo é para você.
O Alienista não é apenas uma história sobre um médico doido; é uma crítica ácida sobre como a ciência e o poder podem ser perigosos quando não têm limites.
O Cientista e a Vila de Itaguaí
Tudo começa quando o Dr. Simão Bacamarte, um médico respeitadíssimo na Europa, decide voltar para sua terra natal, Itaguaí.
Ele é o tipo de pessoa que vive 100% para a ciência, tanto que até escolheu sua esposa, Dona Evarista, não por amor, mas porque ela tinha “boas condições fisiológicas” para lhe dar filhos saudáveis (o que, ironicamente, nunca aconteceu).
Bacamarte decide focar seus estudos na mente humana, uma área que ninguém explorava na época.
Ele convence a prefeitura a construir a Casa Verde, um hospício para internar todos os loucos da região. Até aí, parece uma iniciativa nobre, certo?
O problema é que o conceito de “loucura” dele começa a ficar bem estranho.
A Teoria que Virou Terror
Simão Bacamarte começa a achar que a loucura não é uma exceção, mas sim um “continente” enorme. Para ele, qualquer mania ou desvio de caráter vira motivo para internação.
Ele prende o Costa porque o cara gastou toda a herança emprestando dinheiro sem juros. Prende o Mateus porque ele ficava admirando a própria casa suntuosa. Prende até quem é educado demais ou quem gosta de conversar muito.
Isso gera o que ficou conhecido como “O Terror”[8]. A população fica apavorada porque ninguém sabe quem será o próximo. É nesse cenário que surge a Revolta dos Canjicas, liderada pelo barbeiro Porfírio.
Eles tentam derrubar a Casa Verde e o “déspota científico”, mas Machado de Assis usa isso para mostrar como a política pode ser suja: assim que Porfírio chega ao poder, ele acaba se aliando ao médico em vez de libertar o povo.

A Reviravolta de Mestre
O clima em Itaguaí fica tão bizarro que Bacamarte chega a internar a própria esposa, Dona Evarista, só porque ela não conseguia se decidir entre usar um colar de granada ou de safira em um baile. Nesse ponto, quatro quintos da cidade já estavam na Casa Verde.
É aí que vem a grande “virada” machadiano. O alienista percebe que sua estatística está errada: se quase todo mundo é doido, então ser doido é o “normal”. Ele solta todo mundo e decide internar apenas quem possui um equilíbrio mental perfeito e virtudes impecáveis.
Ele passa a caçar as pessoas honestas, modestas e leais. Mas, com o tempo, ele tenta “curar” essas pessoas oferecendo-lhes vaidades e cargos públicos, e elas acabam perdendo suas virtudes e voltando ao “desequilíbrio comum” da humanidade.
O Final Irônico
No fim das contas, a Casa Verde fica vazia novamente.
Simão Bacamarte faz uma última análise e conclui que, se ninguém no mundo consegue manter um equilíbrio perfeito, e ele é o único que possui todas as qualidades de um cérebro bem-organizado, então o único louco de verdade é ele mesmo.
Ele se tranca sozinho na Casa Verde para estudar sua própria mente e morre lá, dezessete meses depois.
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Por que isso cai no vestibular?
Machado de Assis está usando Simão Bacamarte para mostrar que a razão absoluta pode ser uma forma de loucura.
O autor critica o Cientificismo do século XIX (a ideia de que a ciência explica tudo) e mostra como as definições de “normal” e “anormal” podem ser manipuladas por quem está no poder.
É um livro sobre como a humanidade é imperfeita e como a verdade absoluta é algo bem difícil de encontrar.

